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14 maio 2020

Intolerância Religiosa

O apagamento do valor civilizatório dos povos africanos no Brasil por certo é uma investida antiga. A religião é uma de suas tecnologias.

O medo por vezes impede que adeptos não assumam publicamente o seu culto a tradição de matriz africana. 

As agressões são direcionada a seus corpos através de pedrada em via pública, de sua cidadania na descriminação no local de trabalho, no abalo de sua honra ao serem acusados de fazedores do mal, do espaço sagrado com destruição das instalações do terreiro. 

Para o agressor, um pedido de desculpas lhe é legitimado.

O psiquiatra Nina Rodrigues com seu racismo científico alegava que o negro era de uma raça diferente, inferior, não propenso a civilização e com desvio de conduta tendendo a criminalidade. Abdias do Nascimento nos lembra que esse médico deu o ponto inicial do estudo psiquiátrico classificador do êxtase místico ao nível da histeria ou manifestação patológica. 

As casas de culto de matriz africana necessitavam de registro policial para funcionar. Os terreiros se localizavam em áreas remotas e mesmo assim eram vítimas de operações policiais que aproveitavam para saquear o espaço sagrado retendo esculturas rituais, objetos do culto, vestimentas litúrgicas, assim como eram encarcerados sacerdotes, sacerdotisas e praticantes do culto. 

A discriminação e a perseguição por motivos religiosos são marcas históricas de uma humanidade perversa e racista. O autor traz Fanon para nos lembrar, que o racismo e a racialização são expoentes das relações capitalistas. 

Na inquisição católica o lema era combate a heresia, mas o confisco dos bens do pecador se tornou uma atividade altamente rentável.

Foto internet. Terreiro destruído

A fé é uma escusa para por em pratica um projeto de poder. A tolerância assim como o mito da democracia racial são estratégias sufocadoras de debates que merecem mais destaques pois ninguém fica confortável na posição de suportado. Como bem disso o autor, quem tolera não respeita, não quer compreender, não quer conhecer.

O europeu em seu etnocentrismo e colonialismo não reconhece e condena tudo que é do outro. Hierarquiza, classifica, oculta, segrega, silencia e apaga o que oferece perigo à manutenção do seu local social de dominador ou algo que ameace seus privilégios.

Na perspectiva “desde dentro para desde fora” Babalorixás como Pai Nildo de Oxaguian, Daniel de Oxaguian, a iyalode Marisa de Oyá e Mãe Nadia de Ominodõ de Ologunedé que são intelectuais orgânicos, trazem no livro suas experiências e visão de mundo em torno do racismo e intolerância religiosa.

Seus relatos não são de observadores externos sem o conhecimento cultural do sistema simbólico da religião, mas de lideranças que mantém em curso o processo civilizatório herdado dos antepassados africanos. 


Foto Internet 

O pavor da alteridade criou inimigo e/ou bode expiatório: “Além de preto é macumbeiro”. 

Essa dupla opressão coincide em culpar os que decidem seguir os saberes cosmológicos africanos. Como alternativa para a “liberdade e a verdade” há os pseudo-heróis salvadores como a igreja universal do reino de Deus e antes deles no período colonial o escravizado tinha o batismo católico compulsório como uma conduta salvação já que “não tinham alma”. 

A sacralização animal recebe destaque no livro. Respeitando o que pode ser compartilhado com quem não passou pelo processo iniciático. O rito é detalhado com seus signos bem explicados.

 Em 28 de março de 2019 o STF decidiu por unanimidade, que é constitucional o sacrifício de animais em cultos religiosos. A batalha foi longa e árdua, mas não por falta de motivos sacro tão bem apresentados nesse livro e nem por medo dos opositores que tinham como prova fotos de animais mortos e jogados em estradas e viadutos que não tinham nenhuma relação com o Candomblé e demais religiões de matriz africana. 

O medo era do racismo institucional já que a decisão final estava em poder de mãos brancas.

Uma pseudo ativista pelos direitos dos animais ficou magoada com a decisão do STF divulgou foto de filhotinho de cachorro insinuando que e eram um animal de sacrifício. A mentira e a tentativa de desqualificação dos saberes negros é uma estratégia que parece que não tem fim.

A sociedade branca cristã fracassou ao optar por manter um sistema que vive da punição, tortura e do encarceramento. 

Nos saberes africanos as escolhas são que definem o caminho. Não existe pecado, não há condenação de orientação sexual ou identidade de gênero, a religião é em pro de um crescimento pessoal.  Tudo é sagrado, exceto o mau-caratismo.

O autor encerra o livro nos dando uma rica visão de mundo pela perspectiva africana:

A episteme preta não é excludente, não quer dizimar o outro, não quer ou não precisa invalidar a alteridade para edificar a existência de sentidos novos, diversos e diferentes. Os deuses alheios não são falsos, demoníacos ou inexistentes.  

O que não se agrega não precisa ser diminuído, nem suas potências espirituais precisam ser colocadas em dúvida ou até amaldiçoadas, assim como pastores e padres vêm fazendo em seus discursos, como único caminho para o convencimento dos mais vulneráveis à aceitação de uma fé única. A caminhada do outro é a caminhada do outro; ele e sua caminhada devem ser respeitados.

A liberdade de crença esta expressa no artigo 5º da constituição de 1988. O disque 100 é uma ferramenta de denúncia e deve ser divulgada. 

Livro potente e necessário para pensarmos o dia de hoje. Não é sobre religião, mas sobre a existência. Professor Sidnei Nogueira foi muito feliz em abordar o tema de uma forma acadêmica e didática.
Babalorixá Sidney Barreto de Xangô






10 maio 2020

Rediscutindo a mestiçagem no Brasil – Identidade nacional versus identidade negra

Homens da pior qualidade invadiram esse território com sede extrativista. Assassinaram e escravizaram indígenas, paralelamente invadiram o continente Africano para uma caça brutal e sangrenta. Implementaram outras táticas, assediando e corrompendo os líderes de lá em troca de arma de fogo e outros objetos de valor.  Dessa forma construíram o tráfico negreiro, atravessando homens, mulheres e criança transformados em objetos/moeda. 

Usurparam conhecimentos técnicos na agricultura, na agropecuária, na medicina, no tratamento dos metais, na tecelagem, nas negociações, a força física, na capacidade reprodutiva. Com efeito, os que não morreram foram jogados as ruas. “Alforriados”.

Mulheres negras não só foram submetidas ao trabalho forçado, como também foram sequencialmente estupradas para satisfazer a ânsia sexual dos colonos. Eram em menor número e vulneráveis em decorrência do sistema escravocrata. Viraram nova fonte de renda uma vez feitas de prostitutas pelos Portugueses.

Na literatura eram retratadas como trabalhadeira e cozinheira, mas por outro lado como “sedutora”, “lasciva”, “sedenta pro sexo”. Falácias! A sexualidade da mulher negra brasileira foi forjada na violação de seu corpo.

Historicamente, no intuito de desencorajar a copulação, houve estatuto onde a mulher negra e os filhos poderiam ser confiscadas, decreto lei que prometia chicotada a que procurasse prazeres carnais com as negras, nobres que se casassem com mulatas perderiam o título,  mulheres negras proibidos de dar nome de branco a seus filhos, mulatos provindo de mãe escrava eram automaticamente eram escravos. Mas a relação de poder do branco colono sobre o corpo da mulher negra não foi abalada.

Vender corpo negro foi proibido e fazer trabalhar a força debaixo de tortura física também. Precisavam então formar uma classe trabalhadora, mas sem incluir o “resto humano” que aqui estava. 
Índios e negros não eram bem-vindos a sociedade brasileira e o estado não se responsabilizou por eles. A imigração europeia toma um grande impulso e tinha dois propostos: impulsionar a economia e fazer desaparecer a "mancha negra"

Apartar como nos EUA e África do Sul era perigoso e criticado.  Consideravam que se deixassem os negros enquanto grupo, eles poderiam se multiplicar em números com risco de tomada do poder. A revolução do Haiti era um pesadelo real.
Foto da Internet 
O preconceito aqui é o de “marca” ou de “cor” e não o biológico como bem disse o Oracy Nogueira. Quanto menos traços negroides indisfarçáveis, melhor. 

Consequentemente a separação e rivalidade entre o grupo de mestiço lamentavelmente surgiu pois há uma aquarela de cores entre o preto e o branco.

A balela da raça única, a etnia brasileira, nada mais era do que uma estratégia genocida tão bem estudada por Abdias do nascimento. 

Gilbert Freyre em 1930, ignorou o estupro na relação colonial e insistia em dizer que as relações sexuais interraciais foram de forma harmoniosa. Em seus escritos alegava que com escassez de mulheres brancas se fez necessidade a aproximação sexual dos colonos com a escravizadas negras e indígenas, e que tudo ocorreu de forma harmoniosa devido a flexibilidade natural do português. 

Foi ele também que incentivou a unificação das culturas, mas essa união era pautada em apagar as suas identidades étnicas. 

O “melhorar”, “civilizar” significava tornar mais branco. O sincretismo cultural teve sim o seu valor para a manutenção de nossas tradições, ou era isso ou era nada. Mas hoje já temos ferramentas para a identificação  e valorização de tudo aquilo que foi deturpado, embranquecido. 

O candomblé é negro, o acarajé é comida de Oyá, a capoeira é negra, o samba é negro, a constelação familiar é sabedoria ancestral negra e por ai vai.

O rodar de cabelões na Umbanda, os curadores de museus que reduzem as culturas não europeias a primitivas, o a tentativa de não permitir o sacrifício de animais no ritual de matriz africana, a bossa nova, o alisar do cabelo, a contratação apenas de pessoas brancas, a naturalização da ausência de negros nas universidades... sao questões a serem repensadas.

Lembro de outras leituras que Pierre Verger louvava a assimilação, o apagamento protagonismo negro de sua própria cultura que era “incrementada” com a cultura branca. Monteiro Lobato se preocupava com progresso do país, achava ele, então simpatizante da Ku Klux Klan, que o atraso se devia a presença dos indesejáveis. 

Kabenguele traz em seu livro expoentes negros na política e principalmente na literatura, todos mestiços, que mantinham o discurso do orgulho de terem “alma branca”.

A arianização dos considerados “superiores” se dava através do casamento e posse de terra. Acessavam a classe da nobreza. Os “inferiores” tinham de ser eliminados. A passividade era desejada e enfraquecia o sentimento de solidariedade com os negros indisfarçáveis. Ditos como “o dinheiro branqueia”, “o preto rico é branco” ou “banco pobre é preto” faz pensar que a condição econômica poderia fazer mudar de raça.

A comunidade negra se unia contra o preconceito que no Brasil era muito incisivo, mas ao mesmo tempo mantinham a ideologia do branqueamento. Anunciavam na impressa negra produtos de alisamento de cabelo, regras de como se comportar como um civilizado.

Os mestiços eram tratados pelos teóricos como desequilibrados, fracos fisicamente e sem o intelecto dos ancestrais superiores (o branco) e mesmo assim acima dos negros na intelectualidade.

Darcy Ribeiro foi um lutador pela educação para correção das desigualdades, mas achava que o racismo brasileiro era melhor do que o Apartheid da Africado Sul de do Jim Crown dos Estados Unidos. Darcy foi refutado por Oracy Nogueira que afirmava que todas as formas de racismo são abomináveis.

Havia um problema na construção da nação, um problema negro. Racismo era assunto e problema de preto.  O movimento negro foi perseguido pela política ditatorial. A Frente Negra que se tornou partido político foi diluído pelo governo. Líderes negros foram presos, debate racial foi proibido. 
A partir da década de 70 a pauta ressurge, um dos maiores expoentes foi o Teatro Experimental negro. Grupo esse responsável pelo resgate da identidade negra. Publicações e debate sobre questões raciais retomaram no brasil mestiçado.

Em 1980 historiador Clovis Moura resgatou do censo a descrição de 136 cores diferentes de auto identificação  Foram 136 formas do brasileiro fugir de sua realidade étnica para estar mais próximo do modelo tido como superior, o branco.

A falta de identificação do negro enquanto grupo, dificultava o diálogo e a organização para exigir reparação histórica. 

Os mestiços no tempo colonial eram os utilizados para atividades econômicas e militar. Ganhavam cargos como o de capitão do mato ou de caçador de fugitivos. Os que se comportassem como branco eram lidos como melhores. Estavam em maior número no grupo de alforriados. Mas não podemos esquecer muitos tiveram a história como a de Luiz Gama que foi vendido pelo próprio pai branco.

Foto da Internet 
Kabenguele Munanga 

Com o mito do bom selvagem de Rousseau, os indígenas tiveram uma revalorização e as civilizações incas e maias uma certa aceitação. Na Grécia antiga a mestiçagem étnica não era problema pois o importante era pertencer a uma cultura. Os critérios Romanos não eram raciais, mas de status.

Os filósofos da era do Iluminista se esforçaram para manter a supremacia branca. Voltaire considerava o mestiço uma anomalia. Maupertuis supunha que o primeiro negro nasceu de um casal de brancos com sêmen contaminado. Para Kant, filho de outra raça, infalivelmente era um bastardo. Edward Long defendia que mulatos não seriam capazes de reproduzir assim como as mulas. Quando aparecia casais mulatos com filhos ele dizia que o verdadeiro pai podia ser um branco ou um negro (chamou geral de corno). 

O mito da democracia racial encobria os conflitos raciais. A leitura desse livro é essencial para quem que saber de onde vem o branqueamento genocida da população brasileira. 

Kabenguele Munanga 





29 abril 2020

O genocídio do negro Brasileiro- Processo de um Racismo Mascarado


Primordialmente o autor contextualiza como o escrito chegou ao público. 

Originalmente foi um ensaio para o colóquio do Segundo Festival Mundial de Artes e Culturas Negras realizado em Lagos de 15 de janeiro a 12 de fevereiro de 1977, porém foi rejeitado. 


Não fiquei surpresa pois os assuntos não estão em consonância com a imagem que  sociedade brasileira queria se mostrar ao mundo.  

Fiquei deveras triste pois se o governo  tivesse trabalhado (aqui) o material desse livro, hoje teríamos uma outra realidade. Fim do racismo? Não. Mas estaríamos mais adiante para a conquista de nossa cidadania real. 

Ao se averiguar como hoje se fala sobre sexualidade e gênero como um assunto incentivador ao coito, da mesma forma,  o documento foi tido como propagador de crenças ideológicas. Os 6 delegados enviados pelo Brasil se quer se manifestaram, em omissão não quiseram estar envolvidos em debater as questões raciais do Brasil. 

A imprensa Nigeriana documentou a rejeição e por conseguinte se despertou a curiosidade para saber as condições do negro brasileiro.

Em vista disso o trabalho foi mimeografado (me sinto tão velha por saber o que é isso) e distribuído aos participantes do Colóquio que se organizaram em 5 grupos para discursão. Dessa maneira propostas foram lançadas. A delegação brasileira tentou impedir que as propostas fossem colocadas visto que Abdias não era um delegado oficial.

O ano era 1977 e o documento denunciava que o Brasil não fazia de forma obrigatória o estudo da história da África e consequentemente  negando a mais da metade da população do país conhecer sua história e raízes que por certo lhe ajudariam a formar uma identidade. 

Somente em 09 de janeiro de 2003 que a lei 10.639 foi assinada. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. 

Não posso deixar de comentar que estava na proposta, mas foi vetado que professores deveriam contar com a participação de entidades do movimento afro-brasileiro. Eu acho que ficaram com medo da revolução.

Os delegados oficiais produziram monografias de pretenso caráter científico (grifo do autor) e colocavam o afro-brasileiro e africano como objeto de pesquisa e destituído de humanidade e dinâmica histórica.

ATENÇÃO: a partir de agora vou usar o símbolo * para os falsianes

Um dos delegados Dr. George Alika (*) descreveu a religião de matriz africana como culto primitivo, mágico e animista. Esse autor seguia os estudos de Nina Rodrigues (*) que dizia que o transe era manifestação de histeria e patológico.

Outro delegado Antônio Vieira (*) não teve seu trabalho distribuído no colóquio, entretanto ele fez um pronunciamento onde omitiu qualquer referência aos problemas dos descendentes dos africanos no Brasil. 

Abdias é um escritor orgânico pois a matéria investigada também lhe atravessa de forma pessoal. 

Cita vários autores como o professor  Thales de Azevedo (*) que assegura que o mito da democracia racial é “orgulho nacional”. Fala de Gilberto Freyre (*) e o seu termo criminoso: morenidade (em uma única palavra ele consegue propor o desaparecimento do negro físico e espiritualmente através de estratégias de branqueamento).

O negro escravizado foi imprescindível para história econômica do Brasil. Café, Cana de açúcar, ouro e diamantes eram explorados pelos negros a base de violência e crueldade porém tampouco tiveram  recompensa financeira e ou simbólica, pois todo o conhecimento e ciência era bagagem dos escravizados.

O sistema escravocrata forçou uma fama de ser uma instituição benigna. O colono português utilizava de mentira e dissimulação para encobrir sua natureza racista e espoliadora. Ainda ousou dizer que a escravidão que já existia em África era semelhante à sua.  As ameaças e corrupção dos chefes tribais não foram contextualizados. O passado Africano fora distorcido. Há corajosos que citam que houve senhores escravocratas “bons e humanos”. Os supostos Senhores Benevolentes.

Os missionários cristãos tiveram uma participação efetiva e entusiástica no cruel, terrível e desumano tráfico negreiro.  Exemplos como Padre Antônio Vieira (*) e sua firme posição racista.  

Pierre Verger (*) um branco europeu que se intitulava porta voz do estudo sobre o negro e o africano disse que o Brasil é um local racialmente harmonioso e que o branco não é racista com o negro. 

O mesmo, glorifica a imagem da “mãe preta” amamentando a criança branca. Pelo contrário, essa imagem foi um dos mais terríveis crueldade racista do tempo escravocrata. Mulheres negras foram estupradas ou engravidavam de uma relação afetiva, mas não tinha direito a seu filho. 



A criança quando não vendida, não tinha o direito de ser amamentado pela própria mãe pois seu leite era propriedade do senhor que podia oferta-lhe a seus próprios filhos ou alugar/vender essa escravizada para que amamentasse outra criança. Não há nada de harmonioso nesse “símbolo” destacado por Verger.

A mulher negra foi escravizada, impedida de estabelecer qualquer estrutura familiar, prostituída e estuprada sistematicamente. Até hoje tem desprestígio social. O autor cita um velho ditado popular, mas continua atual
Banca pra casar,
Negra pra trabalhar
Mulata pra fornicar

Pierre Verger em plena Universidade de Ifé aplaude a violência sexual a mulher africana quando exalta algumas situações da relação dos filhos dos brancos donos de plantação com os escravizados:
“...teriam a sua iniciação sexual com garotas negras trabalhando nas casas grandes...” 

O Africano inválido, enfermo incurável ou idoso era lixo humano na concepção dos escravocratas que lhes concediam alforria para não lhe oferecer apoio ou subsistência.

Manter os Africanos e seus descendentes fora da sociedade exonerava as responsabilidades dos senhores, do estado e da Igreja. 

Monteiro Lobato (*) endossava o coro de que o negro sequestrado e trazido da África sob grilhões era o causador do “problema racial brasileiro" e que de certo o faziam de propósito por vingança. O autor infantil apostava suas esperanças em são Paulo que estava sendo injetado de sangue europeu.

O mulato (mantendo o termo original do livro) era geralmente fruto estupro da mulher negra e tinha designação especial no sistema escravocrata: feitor, capitão do mato entre outras tarefas de confiança. 

O branqueamento sistemático era tido como uma esperança para se aniquilar a “mancha negra” da sociedade” era uma aposta que tinha como objetivo a eliminar da raça negra ou seja, seu genocídio. 

O escritor José Veríssimo (*) exaltou que a mistura das raças iria eliminar a raça negra. Vários outros intelectuais com a mesma linha de pensamento foram citados.

A política imigratória foi instrumento básico para o branqueamento. Um decreto em 1890 proibia a entrada de indígenas da Ásia e Africanos. 

Getúlio Vargas (*) no fim do seu governo assinou o  decreto N 7.967 que dizia:

“Atender-se-á, na admissão dos imigrantes, à necessidade de preservar e desenvolver, na composição étnica da população, as características mais convenientes da sua ascendência europeia, assim como a defesa do trabalhador nacional.”


Rui Barbosa (*) em 1899 mandou incinerar documentos financeiros da escravidão para proteger o Estado, pois os escravocratas pretendiam pedir indenização devido o fim da escravidão oficial. Ato esse que fez com que perdêssemos documentos indispensáveis para uma análise histórica da escravidão. 

A discussão pública do racismo e discriminação racial era inibida e o regime militar agia de forma violenta.

A discriminação racial é a base da desigualdade social. A “boa aparência” nos anúncios de emprego era uma forma de dizer que a vaga não era para uma pessoa de fenótipo negroides irrefutáveis. A cor da pele é uma variável de peso na desigualdade econômica  em que o negro se encontra. 


A cultura Africana foi folclorizada para se tornar palatável.

 A religião de matriz africana era a única religião que era exigido registro policial. As casas passavam por inúmeras invasões onde eram confiscadas esculturas rituais, objetos de culto, vestimentas litúrgicas e as lideranças eram encarceradas.

O autor é fundador do Teatro Negro experimental... Enfim

O livro é um patrimônio imaterial. É inumerável a contribuição que o autor coloca no livro  do que é ser negro no Brasil. 

Abdias do Nascimento: Presente!
Abdias do Nascimento